A dor lombar está fortemente relacionada com o processo de degeneração ou envelhecimento do disco intervertebral, o amortecedor localizado entre os corpos vertebrais. Este processo degenerativo pode estar presente já na segunda década de vida e, para alguns, é considerado como uma consequência inevitável do envelhecimento.
Durante dois anos e meio foi analisado o gene da proteína denominada Agrecan, um dos principais responsáveis pela estrutura e função mecânica do disco intervertebral. Através de exame de sangue identificamos o gene desta proteína e verificamos variações na população que resultam em proteínas com um tamanho menor, fragilizando o tecido e predispondo à degeneração. Este trabalho segue a mesma teoria de uma pesquisa feita no Japão, por Kawaguchi e colaboradores, sendo inédito Brasil. É importante dizer que, além do gene Agrecan, outros genes podem estar envolvidos no processo degenerativo. Estes já estão sendo estudados na continuidade desta pesquisa.
A partir deste estudo será possível uma intervenção preventiva. O objetivo é identificar uma pessoa com risco de apresentar hérnia de disco e tratá-la antes. No caso da doença já instalada, estamos estudando alternativas no processo regenerativo do disco, tais como: utilização de proteínas sintéticas, cultura de condrócitos ou células-tronco, que objetivam o crescimento e a regeneração do disco intervertebral.
"Influência genética pode chegar a 70% dos casos"
A influência genética pode chegar a 70%, mas as doenças da coluna têm causas multifatoriais, como má postura, hábitos e movimentos do dia a dia. É um somatório de coisas. Por isso é fundamental manter uma atividade física para proteger e fortalecer as articulações.
As opções de tratamento oferecidas hoje variam de analgésicos, relaxantes musculares, anti-inflamatórios e fisioterapia a escolas de coluna e mudanças nos hábitos de vida. Sabe-se que o fumo, por exemplo, tem um efeito negativo no tratamento. Quando estas medidas não funcionam, normalmente é indicado algum tipo de tratamento cirúrgico. As opções cirúrgicas são várias e dependem do tipo de lesão que o paciente apresenta. A lógica na escolha do tratamento é optar pelo procedimento mais eficaz e menos invasivo possível. As cirurgias não curam, são tratamentos paliativos. E a maioria dos pacientes espera o disco degenerar para buscar tratamento médico. Busca-se, hoje, direcionar o tratamento da dor lombar para métodos preventivos, conservadores e minimamente invasivos.
A cirurgia minimamente invasiva tem como princípio utilizar abordagens que afetem ao mínimo as estruturas próximas à lesão. Consequentemente, ocorre menos dor no pós-operatório, permitindo reabilitação e retorno às atividades habituais mais rápidos. Também o percentual de complicações, tais como infecção, é menor. Alguns destes procedimentos podem, inclusive, ser realizados com o paciente sedado, sem necessidade de anestesia geral. Na maioria das vezes não necessita de hospitalização. As técnicas têm se modernizado rapidamente, cirurgias abertas com cortes menores, procedimentos sem corte, classificados como percutâneos. A tendência da evolução da cirurgia da coluna é esta: incisões menores, cirurgias menos agressivas, procedimentos percutâneos e foco na reabilitação. Paralelo a isso, pesquisas voltadas para o diagnóstico precoce e prevenção são desenvolvidas em diferentes países.
*Pesquisador e médico ortopedista do Hospital Divina Providência |